2001 – Poeta da pedra: esculturas de Evandro Carneiro dialogam com a obra de Jorge de Lima em exposição e livro (texto de Bianca Tinoco para o Jornal do Comércio sobre a exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, 06 de novembro de 2001 a 6 de janeiro de 2002)

2001 – Exposição Individual no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
2001 – Exposição Individual no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
2001 – Exposição Individual no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Mais de cem anos depois, o escultor Evandro Carneiro faz o caminho inverso do poeta Olavo Bilac, que, no século 19, procurava forjar versos tal qual as jóias de um ourives. As esculturas de Carneiro nos últimos 14 anos se aproximam tanto da linguagem poética que foram organizadas em um livro fotográfico, ‘Criaturas’, como a tradução materializada das poesias de Jorge de Lima. Lançado como uma exposição de 14 obras recentes no Museu Nacional de Belas Artes, ‘Criaturas’, mostra o diálogo entre o artista plástico e o poeta (morto em 1953) em torno da mesma inspiração: mulheres belas e que abusam da sensualidade.

– Preparei ‘Criaturas’ durante seis anos, criando e fotografando esculturas. A parte mais difícil foi fazer o levantamento de todas as obras que entrariam no livro, pois muitas são de colecionadores ou do acervo de museus – conta o artista.

De acordo com Evandro Carneiro, a ‘parceria’ com Jorge de Lima aconteceu de forma quase acidental. O encontro se deu por sugestão do pesquisador de literatura André Seffrin, que sugeriu ao escultor um poema para servir de texto a ‘Criaturas’. Uma vez apresentado à obra de Jorge de Lima, o escultor se surpreendeu com a ligação temática entre os dois. ‘Para mim, a experiência foi bastante prazerosa, pois nunca imaginei que meus trabalhos se encaixariam em poemas escritos há 50 anos. Se quiserem me propor novo diálogo entre poesias e esculturas minhas, estarei aberto’, garante Carneiro.

No Museu Nacional de Belas Artes, estão as esculturas mais recentes do livro ‘Criaturas’, feitas de 1999 a 2001. Na mitologia talhada por Carneiro, estão a versão em bronze de ‘Adão e Eva’, de 2,30 metros de altura, as formas femininas em ‘Danielles’ e o ‘Grande Nu’, em mármore. Há apenas duas peças do início dos anos 90: ‘Noite e Dia’ (1993), que ganhou uma reedição este ano, e ‘Apuanas’, de 1994.

– Dei preferência a meus trabalhos inéditos, já que a última exposição que fiz no Rio foi em 1994. Algumas dessas esculturas já mostram a linha que pretendo seguir, um pouco mais figurativa – diz Carneiro.

Matéria no Jornal do Comércio, 12 de novembro de 2001
Caderno Leilões, página C8 de Artes visuais
Por Bianca Tinoco