2000 – Considerações sobre um Retrato (Texto de Evandro Carneiro para a orelha do livro Antonio Evaristo de Moraes Filho por seus amigos)

Busto de Evaristo de Moraes, escultura de Evandro Carneiro

Quando fui levado ao Salão dos Passos Perdidos, onde deveria ficar o busto do Dr. Evaristo, percebi que a escultura teria que ter força proporcional à densidade daquele ambiente.

A questão não seria apenas a de reproduzir a figura, como num “retrato falado”, onde a preocupação com pormenores leva a lugar nenhum. Eu teria que criar uma imagem de silhueta bem definida, linear, fechada em si mesma, grande, maior que o natural, com progresso de planos e sombras, porém sem perder os sinais característicos do retratado.

À maneira de nossos antepassados pré-históricos, que criavam a imagem do objeto desejado para facilitar sua captura, nós o criamos para glorificar a vida e honrar os mortos. Buscamos penerizar não somente o real ou o ideal, mas, fundamentalmente, as características subjetivas e sutis da personalidade, porque só a arte as torna visíveis, exatamente por não pretender reproduzir a existência, a arte, apenas simboliza.”

Texto de Evandro Carneiro (agosto de 2000) para a orelha do livro Antonio Evaristo de Moraes Filho por seus amigos (Rio de Janeiro/São Paulo: Renovar, 2001)