2007 – Esculturas do gênero feminino: o corpo da mulher é principal temática do mineiro Evandro Carneiro (texto de Justino Miranda em matéria ao Correio da Bahia sobre a exposição individual na Galeria Paulo Darzé, 13 de novembro a 07 de dezembro de 2007)

2007 – Exposição Individual na Galeria Paulo Darzé, Salvador
2007 – Exposição Individual na Galeria Paulo Darzé, Salvador

O escultor mineiro Evandro Carneiro, radicado no Rio de Janeiro desde a juventude, utilizou granito, bronze e mármore de Carrara para realizar as 26 obras que estarão sendo mostradas ao público, a partir de hoje, às 20h, na Paulo Darzé Galeria de Arte. Com apresentação de Frederico Morais, Myriam Fraga, Lélia Coelho Frota e Wilson Coutinho, o artista expõe pela primeira vez na Bahia e mostra o corpo feminino como principal temática do seu trabalho.
Evandro Carneiro iniciou seus estudos em 1962, freqüentando cursos ministrados por Ione Saldanha e Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1964, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes e, no ano seguinte, venceu o concurso instituído pelo Diário de Notícias para o troféu da Campanha Nacional da Criança, escolhido por um júri formado por Gerson P. Pinheiro, Raymundo de Castro Maya e Hélio Oiticica.
Sobre seus estudos na Escola Nacional, conta Mário Margutti, em um ensaio que escreveu sobre o artista em 1994: ‘Aos 16 anos, Evandro ingressou na Escola Nacional de Belas Artes. Naquele tempo, segundo o escultor, existiam na escola duas vertentes de ensino: uma moderna, coordenada por Abelardo Zaluar, que dava maior liberdade aos alunos e privilegiava a experimentação; a outra, mais acadêmica e com preceitos mais rígidos, era capitaneada por Onofre Penteado. Como já desfrutara do saber de professors modernos do MAM, Evandro optou pela linha de Onofre, numa busca consciente de aprimoramento técnico’.
‘Onofre seguia o currículo à risca e era muito exigente no que diz respeito ao desenho, que praticávamos exaustivamente, através de croquis, modelos vivos e cópias de estátuas de gesso’, afirma Evandro.
Sua paixão pela escultura, enretanto, foi de fato incorporada em 1966, quando iniciou aulas particulares com a escultora Celita Vaccani.
Apesar de ter registrado em seu currículo dezenas de exposições individuais e coletivas, o seu talento não se restringiu somente às criações artísticas, ingressou no mercado de arte como funcionário da Galeria Relevo, no Rio, organizou leilões em Brasília, Goiânia e Recife e, em 1971, criou juntamente com José Carvalho, a Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, tornando-se um dos maiores e mais conhecidos organizadores de leilões do país. Em 1983, iniciou suas atividades como leiloeiro.
Apesar de todo o envolvimento com leilões e organização de mostras de outros artistas, Evandro sempre produziu regularmente e vem realizando exposições anuais em importantes galerias e museus do país e do exterior. Expôs em locais como a GB Arte, Galeria Ipanema e Galeria Saramenha, no Rio de Janeiro, Galeria Skultura, em São Paulo, Galeria Arte-Actual em Santiago do Chile, Galeria Marcus Vieira, em Belo Horizinte, além do Museu Nacional de Belas Artes e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Palácio do Itamaraty, em Brasília. Possui obras instaladas em espaços públicos de vários estados brasileiros e tambem foi membro do júri da 1a Bienal Internacional de Escultura, em Resistência, Argentina. Ano passado, realizou exposição individual na Galeria Marcia Barrozo do Amaral, no Rio de Janeiro.
A presença da figura feminina é bastante marcante na obra de Evandro e, nessa mostra, ela aparece fragmentada, tratada de forma estilizada, mas sempre mantendo a coerência e o refinamento que acompanha o trabalho do artista desde o início.
O crítico Fredrico Morais chama a atenção para a sensualidade das obras criadas pelo artista no texto que escreveu para a apresentação do livro Criaturas, no qual estão reunidos poemas de Jorge de Lima e esculturas de Evandro Carneiro, lançado pela Soraia Cals Editora, em 2001. A exposição, intitulada Universo Feminino, fica aberta ao público até 7 de dezembro e pode ser visitada de segunda à sexta, das 9h às 19h e sábado, das 9h às 13h.”

Justino Miranda
Matéria no Correio da Bahia / Folha da Bahia, 13 de novembro de 2007, Caderno de Cultura, seção Artes Plásticas